Alumni SIS

Isabela Salgado

Nossa ex-aluna, Isabela Salgado, ingressou na ESB Rio de Janeiro no 1º ano do ensino fundamental, o antigo CA, na seção francesa, e se formou na turma de 2012. Hoje, ela é integrante do centro de pesquisa The Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL) do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um centro referência em estudos sobre como reduzir a pobreza global, cujos fundadores foram os vencedores do Prêmio Nobel de Economia em 2019 por conta das pesquisas realizadas na área. Tivemos a oportunidade de conversar com Isabela, que está trabalhando de casa, em Cambridge, nos Estados Unidos, por conta da pandemia. Ela nos contou sobre algumas lembranças da época de escola e um pouquinho da sua trajetória até ser convidada para integrar o time de “Policy Associates”, do escritório global do J-PAL no MIT.

1. Qual é a lembrança mais marcante que você tem da sua época na ESB Rio de Janeiro?

Eu tenho tantas lembranças desses 12 anos que é difícil escolher só uma. Até hoje, sinto falta de ler poemas com a D. Fátima, dos problemas de matemática do Paulo Nobre, das discussões em francês com o Eric e de tantos outros professores. Acho que uma das minhas recordações favoritas, no entanto, são as feiras de ciências. Não sei se elas acontecem ainda, mas eu lembro que, todo ano, no final do primeiro semestre, as turmas tiravam uns dias para organizar essas feiras. Cada turma escolhia um tema, montava uma apresentação (as salas de aulas eram transformadas em verdadeiros cenários) e os pais vinham assistir. A minha apresentação favorita foi quando eu estava na 5ª série/6º ano e a 3M montou uma reprodução daquele programa CSI. Você entrava na sala e eles te guiavam por um caso de polícia, mostrando as evidências em luz negra etc., até chegar à conclusão. Eu e meu pai amamos tanto, que fomos assistir várias vezes!

2. O que você decidiu fazer depois que se formou na ESB Rio de Janeiro e como foi essa escolha?

Depois de me formar na ESB Rio de Janeiro, eu comecei a cursar Economia na PUC-Rio. Com certeza não foi uma escolha fácil. Eu sempre fui aquela aluna que gostava de todas as matérias, principalmente, na área de humanas. Considerei prestar vestibular para jornalismo, ciências sociais, história... Mas com dois pais economistas, não tinha muito como fugir da profissão. Além disso, o IB abria muitas portas em termos de estudos no exterior, mas eu tinha receio de que uma graduação fora dificultasse a minha entrada no mercado de trabalho no Brasil. Meu desejo de estudar no exterior me levou, no fim, a optar pela PUC, tendo em vista os programas de intercâmbio que a instituição oferece. No meu último ano da graduação, em 2016, eu cursei um semestre na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. 

3. Hoje, você trabalha em um projeto do Departamento de Economia do MIT, o J-PAL. Você pode explicar um pouquinho sobre ele e o trabalho que você desenvolve por lá?

O J-PAL é um centro de pesquisa dentro do MIT, cuja missão é reduzir a pobreza global por meio de políticas baseadas em evidências científicas. A organização tem uma rede de mais de 200 pesquisadores ao redor do mundo, que avaliam programas de redução de pobreza em várias áreas, como saúde, educação e gênero. Eu trabalho no time de Policy, ou políticas públicas, e nossa missão é “traduzir” os resultados dessas pesquisas para que formuladores de políticas públicas, como governos, ONGs e fundações, possam usar as evidências para tomar decisões: saber o que funciona e o que não funciona. A minha área, dentro do J-PAL, é de crime, violência e conflito, então eu trabalho de um lado com pesquisadores estudando como reduzir crime e violência nos países em desenvolvimento e, do outro, com organizações que implementam programas de prevenção e querem saber quais estratégias são mais eficientes. Além do escritório no MIT, o J-PAL está presente em outras 7 regiões do mundo, incluindo um escritório para a América Latina e Caribe, com sede no Chile. Também é parte do meu trabalho apoiar o time do Chile na disseminação de evidências e desenvolvimento de parcerias na América Latina. O nosso objetivo, agora, é abrir um escritório no Brasil, só precisamos conseguir o financiamento!

4. Como foi a sua trajetória até chegar no MIT e o que lhe motivou a buscar esse projeto?

Durante a faculdade de economia, eu tive bastante dificuldade para de achar uma trajetória de carreira que me interessasse de verdade. A maior parte dos meus colegas acabou indo fazer dinheiro no mercado financeiro, ou seguiram para o mestrado ou doutorado. Nenhuma dessas opções me atraíam muito. No meu último ano da graduação, eu tive a sorte de estagiar no Climate Policy Initiative, fazendo assistência de pesquisa na área de avaliação de políticas climáticas. Essa e outras experiências me abriram os horizontes para uma carreira em avaliação e formulação de políticas públicas. O J-PAL é um centro de referência nessa área – os fundadores ganharam o Prêmio Nobel de Economia ano passado – e sempre foi meu sonho trabalhar lá. Em certo ponto, eu vi que eles estavam oferecendo um programa de estágio de um ano no escritório do MIT, então eu apliquei (sem muita convicção) e aqui estou! Depois do estágio, fui contratada como Policy Associate, em 2019. Ainda tenho planos de fazer um mestrado em políticas públicas, mas, por enquanto, estou amando o trabalho e aprendendo muito.

5. Como tem sido sua experiência de morar fora e passar seus dias no campus do MIT?

Eu tenho adorado esses últimos dois anos morando nos Estados Unidos. Cambridge é uma cidade bem pequena, onde moram, basicamente, estudantes e professores das universidades ao redor. Mas é só cruzar o rio e você já chega em Boston, onde tem bastante coisa para fazer, além de lugares lindos para visitar na região. O primeiro ano foi de bastante adaptação, de procurar apartamento, conhecer os lugares, as pessoas. Eu descobri que tinha passado para o estágio no MIT duas semanas antes da data de início, então a mudança foi bem corrida, mas deu tudo certo no final. Trabalhar no MIT, também, tem sido incrível. Eu adoro ir almoçar nas áreas abertas do campus (quando não está muito frio!) e assistir aos seminários e apresentações no departamento de economia. É uma oportunidade única estar em contato com os professores, cujos artigos eu passei anos lendo durante a faculdade. Com a quarentena, tenho trabalhado de casa desde março, ainda sem previsão para voltar ao campus (ou quando poderei ir ao Brasil!).

6. Como você acha que seus anos na ESB Rio de Janeiro contribuíram na sua jornada?


Os meus anos na ESB Rio de Janeiro, com certeza, foram fundamentais para eu chegar onde estou agora. São poucas as pessoas que têm a oportunidade de ter uma formação bilíngue e eu sou muito grata aos meus pais por terem feito essa escolha por mim. Eu, com certeza, tive uma experiência bastante única como aluna da ESB Rio de Janeiro: passei pela mudança da escola de Santa Teresa para a Barra, fui uma das primeiras turmas a completar o International Baccalaureate (IB) e me formei em uma turma menor. Não trocaria essa experiência por nada. Sempre amei meus professores e, por causa das turmas pequenas, nós pudemos construir relações próximas que, certamente, ajudaram no aprendizado e no cotidiano. Acho que a maior influência que a ESB Rio de Janeiro deixou em mim foi aprender que o mundo está cheio de possibilidades e que nós temos as ferramentas necessárias para explorá-lo. Basta tentar.