O que podemos aprender com Simone Biles?

Durante a recente olimpíada de Tóquio, a ginasta artística Simone Biles, então considerada a favorita para as muitas medalhas de ouro dessa modalidade olímpica, desistiu de competir em várias provas, alegando falta de condições socioemocionais. A notícia surpreendeu o mundo olímpico e provocou uma série de debates sobre as causas que a teriam levado a tal decisão.

A ginástica artística possui um sistema de pontuação para classificar os atletas baseado no grau de complexidade dos movimentos e na perfeição na realização destes. Essa busca da perfeição, que caracteriza essa modalidade atlética, parece algo desumano, pois o que nos faz humanos é exatamente sermos falíveis, não sermos perfeitos.

O que mais se destacou nesse caso da Simone Biles foi a insuficiência do programa de treinamento de sua equipe, muito focado na performance física e insuficientemente suportado por apoio psicológico e afetivo. Ainda mais por se tratar de uma modalidade que exige que meros humanos busquem a perfeição.

O que podemos extrair como aprendizado para nossa Escola?

Ficou bastante evidente que oferecer aos atletas os ferramentais técnicos mais avançados e, fazendo um paralelo com a Escola, as melhores técnicas pedagógicas, pode não ser suficiente, se não houver um importante acompanhamento socioafetivo dos alunos.

Com isso, é importante a interação entre Escola e famílias com o objetivo de criar um acompanhamento socioafetivo que dê segurança e tranquilidade, para que o aluno se sinta apoiado em seu processo de aprendizado.

Também, a busca da perfeição, que caracteriza a pontuação da ginástica artística, por si só, é algo que pode resultar em grande frustração, desinteresse e abandono por parte do atleta. 

Mas se não devemos buscar a perfeição em nossas vidas e exigir tal perfeição aos nossos alunos, o que devemos buscar? A perfeição é sinônimo de ausência de erro. Mas se são os erros que nos fazem crescer, não parece ser um caminho saudável.

Por outro lado, temos a busca da excelência, sermos excelentes. A busca da excelência equivale a, mesmo com nossas limitações, buscarmos os melhores resultados possíveis, dadas as condições oferecidas e, principalmente, dado o prazo de realizar as tarefas exigidas.

Mas se por um lado a busca da perfeição pode levar à frustração e desinteresse, a busca da excelência considera o erro como parte do processo de crescimento. 

Na Escola, a excelência no aprendizado está muito relacionada ao esforço, dedicação, disciplina, interação, trabalho em equipe, companheirismo, respeito, ou seja, o aluno colocar em prática os valores vivenciados na rotina escolar.

Mas como ajudar o aluno a ser excelente?
Como ajudá-lo a superar os erros e aprender com eles?
Como manter alta a motivação e tornar o aprendizado como algo prazeroso e possível?
Como ajudá-lo a definir pequenas metas que gerem conquistas em seu caminho de crescimento?

São muitas perguntas que poderão ter diferentes soluções. O mais importante é que todos os educadores e as famílias estejam comprometidos e motivados na construção desses caminhos.

Elisa Schlodtmann, Coordenadora do SOE