Alumni SIS

Valentina Bulc

Valentina Bulc é o nosso primeiro destaque da série #AlumniSIS deste ano. Graduada na turma de 2018 da ESB Rio de Janeiro, ela foi a 11ª colocada no vestibular de cinema da PUC-Rio, é atriz desde a época de escola e hoje está no elenco da novela “Salve-se Quem Puder”, da Rede Globo. Para a ex-aluna, a formação multicultural é um excelente exercício intelectual e toda a experiência que viveu na escola foi importante para sua formação como indivíduo. 

1. Quais são as lembranças mais marcantes que você tem da sua época na ESB Rio de Janeiro?

As experiências que tive na Escola foram muito marcantes e é difícil escolher uma lembrança só. Sou muito grata por ter estudado na ESB Rio de Janeiro, pois tive uma excelente formação não só acadêmica, mas também de caráter. Foram quase 10 anos com a mesma turma e tenho muitas memórias. Lembro da nossa viagem a Nova Friburgo, quando assamos pães alemães típicos e ouvimos histórias de terror. A viagem à Suíça também foi incrível! Mas, sem dúvida, as lembranças que mais me marcaram foram as aulas. No final da vida escolar, ficava na escola de 7:30 às 5:00 horas, criamos uma 2ª família. Lembro-me do ensino médio, cursando o IB Diploma, ficava nervosa e o professor Maurício sempre me acalmava. As aulas de literatura com a D. Fátima eram aulas de vida... Sinto muita falta dos professores, das pessoas e da dinâmica que a gente tinha na Escola. Sempre me falaram que eu sentiria falta e, hoje, morro de saudades.
 
2. Você aprendeu 3 línguas na ESB Rio de Janeiro. Como  aproveita as habilidades de comunicação que desenvolveu?

Aprender línguas estimula o cérebro. As pessoas que aprendem línguas, principalmente se o aprendizado se der desde cedo, acabam tendo mais facilidade no aprendizado em outras áreas. E no uso prático das línguas, o inglês é a língua universal, importante para se comunicar, viajar, trabalhar no mundo de hoje. Eu sou atriz e tenho vontade de trabalhar e atuar fora, um dos meus grandes sonhos. Quando entrei na Seção Francesa, eu só sabia falar francês, pois tenho pai francês, mas não sabia ler e escrever. Essas habilidades foram aprimoradas. Não afirmo que domino o alemão, mas foi, também, muito importante ter estudado. Aprender línguas é muito bom como exercício intelectual.
 
3. Queremos que nossos alunos desenvolvam autonomia no seu processo de aprendizagem e encontrem prazer em aprender ao longo da vida. Você consegue ver os efeitos práticos dessa abordagem no seu dia a dia? Como?

Claro! Percebo que funcionou muito comigo. Gosto demais de estudar e sempre fui muito estimulada a descobrir e a entender as coisas, a ir atrás de respostas de uma forma autônoma e a buscar conhecimento. A ESB Rio de Janeiro nunca foi uma escola com aquela vibe “vestibular” e provas com respostas de múltipla escolha e isso é muito bom. Essa maneira de aprender a pensar, a argumentar e a buscar informações por conta própria é muito importante para o desenvolvimento de qualquer pessoa. Sempre converso com as minhas amigas de colégio e percebemos que entramos na faculdade com mais domínio e segurança sobre o que precisamos fazer. Fomos muito bem preparados durante os anos na escola e isso, certamente, influenciou a minha vida.
Faz 2 anos que estudo um método diferente de interpretação, criado nos Estados Unidos, e com o qual me identifico muito. Estou achando incrível esse estudo. Ele aborda, também, questões sensoriais e de análises de textos... e percebo que tenho muita facilidade nesse aspecto de análise de textos de cenas. Já as que fazíamos com a D. Fátima eram pesadas! (risos) Além disso, também estou estudando espanhol e estou bastante animada. O fato de eu já ter aprendido outras línguas me ajuda bastante. 
 
4. Você atingiu 37 pontos no IB Diploma, considerada uma média alta. Mesmo não tendo utilizado o IB para o ingresso na sua faculdade, como você empregou os aprendizados adquiridos ao longo do programa?
 
Foi uma ótima média mesmo. Tinha a oportunidade de ir para várias universidades na Europa e escolhi não usar. Isso vai muito de escolher o que faz sentido para cada um de nós e o meu foco era, e continua sendo, a interpretação. Não fazia sentido começar meu percurso do zero na Europa naquele momento e, por isso, não usei. Digo que não o usei diretamente, mas o IB tem reflexo na vida: aprende-se a pensar, a refletir, a questionar e a saber que nem sempre se podem julgar os acontecimentos a partir de uma perspectiva simplista. Os Internal Assessments do IB, como um todo, por exemplo, são uma preparação para a faculdade. Sei que não faço medicina, que é muito mais difícil, mas no curso de cinema da Puc consigo perceber a minha capacidade de entender o que é importante em um texto e isso tivemos que aprender a pesquisar no IB.

Fazemos uma mini monografia e alguns trabalhos que são preparações para a faculdade. Sinto que a minha habilidade de entender e interpretar o que é importante em um text assim como a habilidade de pesquisar são muito grandes.
Lembro de um Internal Assessment de History que fiz sobre algo como ‘Até que ponto a 2ª onda do feminismo nos EUA realmente foi um sucesso”. Hoje em dia, me pego lendo alguns livros e pensando que poderia tê-los usado como referência. Acho que o IB é um programa muito interessante, que ensina o aluno a pensar por si próprio e não simplesmente a aceitar o que está sendo dado. Você questiona tudo. Às vezes, eu ficava nervosa, mas não me arrependo. Faria tudo de novo! Quando eu tiver filhos, vou querer que eles façam o IB!
 
5. Desde o Maternal, nossos alunos desenvolvem trabalhos autorais que envolvem investigação e pesquisa. No ensino médio, você desenvolveu um de seus Internal Assesments de Biology focado na pesquisa sobre o bocejo e sua relação com a empatia. Como foi essa experiência?
 
Realmente o IB nos prepara muito para fazer pesquisas, investigações e isso traz uma outra visão de mundo. Lembro-me desse Internal Assessment de Biology. Eu tinha um interesse genuíno, pois sempre bocejei muito e nunca entendi o motivo, então escolhi me aprofundar. Esse questionamento, na época, não era fácil de encontrar na internet. Só encontrei artigos em inglês e achei tudo muito interessante sobre a ligação do bocejo com a empatia. Lembro que estudei sobre a facilidade de a mulher  bocejar mais que o homem e disso ter, também, ligação com o desenvolvimento hormonal e o fato de mulheres tenderem a ser mais empáticas. Na ESB, fiz um experimento com alunas mais novas e foi muito interessante! Nossa, estou com saudades da escola, era muito bom! Por ser uma escola pequena, tínhamos total liberdade para pedir ajuda aos professores, ter contato com todos, que estavam sempre dispostos a ajudar. Lembro que mostrei alguns vídeos sobre bocejo e observei suas reações. Essa pesquisa tem tudo a ver com a minha profissão. Desde que eu comecei a estudar o novo método de interpretação, nunca julgo a personagem, você precisa entendê-la e aceitar que existe um pouco dela em você. Ele fala muito sobre a psiqué dos personagens. Esse processo me fez desenvolver um senso de empatia ainda maior. Sempre tento entender o “porquê” de aquela pessoa ter determinadas atitudes e ser daquele jeito. Está tudo relacionado. Toda a experiência que tive na ESB Rio de Janeiro foi muito importante para minha formação como pessoa.