Alumni SIS

Mariana Santos

Nossa ex-aluna Mariana Santos se formou em 2011 na ESB Rio de Janeiro e, cursou arquitetura e urbanismo na UFRJ e, hoje, faz mestrado em Building Architecture na Politécnico di Milano, uma das top 10 universidades de arquitetura no mundo. Além do mestrado, ela também trabalha em um laboratório de fabricação em Milão e participa de um programa educacional focado em inovação e liderança para o desenvolvimento ético sustentável. Mariana compartilhou conosco suas memórias do tempo de Escola, contou como ela percebe que os anos na ESB Rio de Janeiro contribuíram para sua formação e como decidiu ir morar na Itália.

1. Qual é a lembrança mais marcante que você tem da sua época na ESB Rio de Janeiro?

Foram mais de dez anos de Escola e é difícil apontar apenas uma... Só tenho boas memórias da ESB Rio de Janeiro, dos professores, funcionários e dos meus colegas. Todos eram incríveis. Me vem à cabeça uma aula de marcenaria durante o ensino médio. Tínhamos recebido uma tarefa, mas, naquele dia específico, eu estava muito interessada em aprender a pintar em madeira. Perguntei para o Herr Baumann, meu professor na época, se ele poderia abrir uma exceção e me ajudar a pintar ao invés de realizar a tarefa proposta. Lembro que ele me olhou intrigado, mas me deu todo o material necessário, um espaço para trabalhar e me ajudou com entusiasmo a desenvolver meu projeto até o fim. Ele sabia do meu interesse em artes e sempre me apoiou muito. Ele foi a primeira pessoa a me falar sobre Le Corbusier, isso antes da faculdade de arquitetura. Lembro, também, das indicações literárias da D. Fátima e do Clóvis, que sempre me trataram com o maior carinho, mesmo quando perguntava sobre temas que não tinham muito a ver com as aulas. Claro, também lembro do livro infantil que publiquei no 3º ano como parte de um de meus projetos CAS. Receber esse tipo de apoio, quando se é jovem, é fundamental para você acreditar no seu potencial e na sua capacidade de realização. 

2. Quando saiu da ESB Rio de Janeiro, você cursou arquitetura e urbanismo na UFRJ. Como foi essa decisão e como acha que a Escola a ajudou nessa escolha?

Sempre quis ser arquiteta e meu ensino na ESB Rio de Janeiro contribuiu muito para me fazer entender que, independente do que eu escolhesse, haveria valor nessa escolha. Para fazer arquitetura, é preciso uma boa dose de criatividade, e não é possível ser criativo sem ser curioso. Nesse sentido, a maior contribuição da Escola para a minha formação foi o fato de ela ter incentivado e dado espaço para sermos curiosos e explorar territórios que vão além do lugar comum como, por exemplo, as aulas de marcenaria, culinária, Theory Of Kwonledge, CAS dentre tantas outras. O ensino da ESB Rio de Janeiro sempre me incentivou a olhar além e a encarar o diferente com interesse, sem desapreço.  As atividades CAS, por exemplo, me ajudaram a entender a importância de exercer um trabalho que seja significativo socialmente e que impacte a cidade de uma forma positiva. Acredito que essas foram as primeiras sementes para que a relevância desses tópicos nascesse em mim. Penso que isso se deva ao fato de a Escola sempre ter priorizado uma grade curricular diversa. Pode parecer besteira quando se fala em aula de culinária, marcenaria e música, mas, para mim, há uma riqueza enorme nesse tipo de aprendizado.

3. Você acredita que esse currículo diversificado, focado em desenvolver diferentes habilidades, a ajudam hoje em dia? 

Muito! Acho que, hoje, todo mundo já percebeu a importância de um currículo diverso e focado em desenvolver diferentes habilidades. Mas imagine isso há 20 anos? Às vezes, paro e penso: nossa, meus pais foram visionários de terem percebido esse diferencial! Não era nada comum naquela época. Lembro que contava para as pessoas que tinha aula de culinária e marcenaria na Escola e todos me olhavam estranho.

4. Você fez parte da Seção Alemã desde o maternal. Como você acha que o ensino bilíngue influenciou o seu desenvolvimento?

A língua em si é fundamental no processo de construção dos nossos pensamentos e na forma como vemos e entendemos o mundo, então, se você pensar nesse sentido, uma segunda ou terceira língua são como mundos de conhecimentos diferentes que se abrem.  Sinto-me privilegiada por ter aprendido alemão desde pequena e da forma como foi. Na ESB Rio de Janeiro, o ensino da língua não passa apenas pelo aprendizado tradicional da gramática e interpretação, mas, pelo entendimento da cultura, história, contato e vivência diária da língua. É um processo de construção e não de memorização.  Hoje, como profissional, percebo que é um diferencial. O ensino bilíngue me ensinou a como, efetivamente, aprender, e eu transfiro isso para outras áreas de conhecimento, e, também, a como pensar em outra língua.  Aprender uma segunda língua desde pequeno abre a cabeça para uma forma de pensar diferente.

5. Hoje, você está fazendo mestrado na Politécnico di Milano, uma das top 10 universidades de arquitetura do mundo, tento conquistado uma bolsa concedida pelo governo italiano. Como foi o processo de escolha do mestrado e o processo de seleção da bolsa?

O processo foi um tanto natural. Quando me formei, em 2018, estava trabalhando em um escritório no Rio, mas me sentia na zona de conforto e me faltavam o estímulo e as possibilidades que o ambiente acadêmico proporciona. A vontade de estudar no exterior, naturalmente, já existia desde a época da Escola, só não sabia onde. Mas queria ir para uma instituição de ponta. A escolha pela Itália se deu, principalmente, pelo país ser referência histórica em design e patrimônio. Além disso, o Politecnico é referência em engenharia. O currículo do mestrado tem enfoque na relação e interação entre essas três áreas, tradição e inovação e preenchia, exatamente, a lacuna que eu sentia. Após ser aceita, veio a agradável surpresa da bolsa - o processo de seleção se deu por análise de currículo, histórico, línguas e declaração de motivação pessoal. Como o foco são candidatos que possam promover a internacionalização tanto nas Universidades como nas empresas parceiras do programa, acho que o IB e o ensino bilíngue ajudaram a me firmar como uma boa opção! Até agora estou feliz com a escolha.