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Nicholas Borsotto

Nicholas Borsotto se formou na turma de 2012 da ESB Rio de Janeiro, na seção alemã, e foi estudar economia na Freie Universität Berlin (FU Berlin), uma das maiores e mais conceituadas universidades da Alemanha. Durante seu período na FU Berlin, Nicholas ganhou uma bolsa de estudos para cursar 6 meses na National Taipei University (NTPU), em Taiwan, na China. Hoje, nosso ex-aluno continua na Alemanha, concluindo seu mestrado em economia aplicada e fundou sua própria empresa no país, a Archgriffin Consulting, uma consultoria especializada em Inteligência Artificial e Data Science e que atende, entre seus clientes, um dos maiores hospitais universitários da Europa. Essa semana, ele participou de uma aula especial com os atuais alunos do Ensino Médio da ESB Rio de Janeiro para contar sobre sua experiência em ingressar em uma universidade alemã. Nossa equipe também entrevistou Nicholas Borsotto, que relembrou a sua época na ESB Rio de Janeiro e contou como a Escola o ajudou a trilhar seu caminho tão diversificado e empreendedor.

1. Qual a lembrança mais marcante que você tem da ESB Rio de Janeiro e que carrega com carinho? 

Difícil, tenho muitas lembranças boas dos professores Paulo Nobre, Oswaldo Coutinho, Rachel, Herr Monerat, Clovis Bulcão, Miss Barbara dentre tantos outros. Se você me permitir duas:

A primeira delas foi discutindo “1984”, de George Orwell, com a D. Fátima – Eu citei “A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Quando se concorda nisto o resto vem por si... O fato de ser uma minoria, mesmo uma minoria de um, não significava que você fosse louco.”  e a D. Fatima recitou em seguida: “Assim como dois mais dois, são quatro, eu sei que a vida vale a pena, embora o pão seja caro e a liberdade pequena.” de Ferreira Gullar. Para mim, aquele momento foi algo extraordinário, dois pensadores, de épocas diferentes, sendo conectados por um mesmo ideal, ótimo livro e uma professora melhor ainda.

O Herr Monerat nos dizendo que a língua é a porta de entrada para uma cultura, é impossível entender o alemão sem entender alemão – algo que eu vivenciei múltiplas vezes com diferentes línguas.

2. Quando você se formou na ESB Rio de Janeiro, você foi estudar economia na Freie Universität Berlin (FU Berlin), na Alemanha. Como foi essa escolha e como foi o processo para ser aceito em uma universidade alemã? 

Eu sempre quis estudar fora e ter ido para Cambridge com a ESB Rio de Janeiro, aos meus 15 anos, só reforçou essa ideia. Quando estava para me formar na escola, decidi que queria ir para Alemanha, já que esse país combinava uma imensa qualidade de ensino e de vida, além de oferecer um ótimo custo-benefício. Primeiro, fui aprovado e cursei um semestre na UERJ para poder trancar a matrícula e usá-la como um plano B, se necessário. Já na Alemanha, me inscrevi em um studienkolleg, em Frankfurt, para, depois, aplicar para uma universidade alemã. Na época, passei para universidades públicas em Hamburgo, Colônia e Berlim e optei pela FU Berlin, pois, além da faculdade e a cidade serem ótimas, eu, também, àquela altura, já queria trabalhar com tecnologia. Hoje, estou terminando um mestrado em economia, que faço em paralelo ao trabalho.

3. Além do tempo que você ficou em Berlin, durante a sua graduação, você também passou um período em Taiwan. Como foi estudar em Taiwan?

Competi por uma bolsa de estudos (scholarship) para cursar um semestre na National Taipei University (NTU), uma das melhores universidades da Ásia e tive o prazer de conquistá-la. Essa experiência foi uma das mais importantes da minha vida acadêmica. Primeiramente, foi um grande desafio, já que não sabia uma palavra em chinês e tive que me adaptar, novamente, a uma vida em uma cidade e universidade novas. Porém, mais do que isso, foi uma grande oportunidade para desenvolver tanto o meu pensamento econômico (com ótimas aulas com tópicos bem diferentes daqueles da FU Berlin) como, também, para conhecer a fundo uma nova cultura (com cursos intensivos de chinês com três horas de duração por dia), junto com outros excelentes bolsistas de universidades como UNICAMP, West Point, Berkley, Universiteit van Amsterdam entre outras. Difícil descrever em palavras tudo que eu aprendi por lá e Taipei será sempre um lugar especial para mim.

4. Você já tem uma experiência ampla, tendo trabalhado em diversas áreas como ONGs, empresas de investimento, área diplomática... Você acredita que seus anos na ESB Rio de Janeiro contribuíram para a construção de uma mentalidade aberta e de um olhar curioso?

Sem dúvida. Primeiramente, falar múltiplos idiomas foi essencial para muitos desses projetos; segundo, porque a minha experiência na ESB Rio de Janeiro sempre foi muito baseada em explorar novos caminhos e interpretar ideias. Na ESB Rio de Janeiro, não existia uma pressão para seguir uma definição “pro forma” de sucesso. Pelo contrário, sempre fui incentivado a descobrir meus pontos fortes e a definir meu próprio ideal de sucesso.

Isso, somado a uma grande curiosidade intelectual, me levou a projetos, os quais eu achava que poderiam agregar valor, trazendo-me para área de tecnologia. Ao fundar a Archgriffin Consulting, escolhi continuar com foco em Artificial Intelligence  (AI) / Data Science, atuando em diversas indústrias. 

5. Você fundou, recentemente, sua própria empresa de consultoria, focado em ciência de dados e inteligência artificial na Alemanha. Pode contar um pouquinho sobre ela e sobre como é ser um brasileiro empreendendo fora do Brasil?

Abrir a Archgriffin foi, relativamente, fácil. Mantê-la aberta foi muito mais difícil, pois, além do trabalho com os clientes, eu também precisei me preocupar com o administrativo e com a aquisição de novos clientes. Contei com o apoio de um network excepcional de profissionais, que se tornaram colaboradores e clientes em vários projetos.

Esse foi, claramente, o projeto profissional mais desafiador que eu já tive, mas com o melhor custo-benefício. Usando a flexibilidade da empresa, consegui cursar um mestrado em economia, ao mesmo tempo em que eu trabalhava com times em indústrias com Edtech, Healthtech e Tech Conferences e cheguei até a dar aulas sobre economia de dados. Encontrei minha paixão por misturar economia com tecnologia através da Archgriffin e tenho me especializado, ainda mais, no setor de saúde. Hoje, meu maior cliente é a Charité Berlin. Sou responsável pela parte de negócios de uma starup criada e financiada pela própria, na área de saúde mental infantil.

Alumni SIS     Ex-aluno apresentando sua empresa